Marcos Almeida Brandão (Mestre Pitbull): O Embaixador de Jacobina que Transformou a Capoeira em uma “Linguagem Global”
Existem pessoas que viajam para conhecer o mundo, e existem pessoas que viajam para mudar o mundo, levando sua terra natal na bagagem. Marcos Almeida Brandão, conhecido por todos como Mestre Pitbull, pertence à segunda categoria.
Fundador do Grupo Jacobina Arte, uma das organizações de Capoeira mais ativas internacionalmente, Mestre Pitbull não é apenas um professor de arte marcial. Ele é um embaixador cultural que uniu dois mundos: a terra poeirenta e cheia de ritmo da Bahia com a Grécia e o restante da Europa.
“Filho da Terra”: Jacobina como Identidade
Na cidade de Jacobina, na Bahia, Marcos não é apenas alguém que partiu. Jornais locais e mídias regionais (como o Diário da Chapada ou blogs locais da Bahia) frequentemente destacam o trabalho da Jacobina Arte com títulos cheios de orgulho.
Para a comunidade local, Mestre Pitbull é o “Embaixador da Cultura Jacobinense”.
A Fundação em 2001
Quando fundou o grupo em Jacobina, em 2001, sua visão era clara: oferecer aos jovens da região um caminho através da arte e levar o nome de sua cidade aos quatro cantos do mundo. E ele conseguiu. O logotipo do grupo não carrega apenas um nome; carrega a identidade de sua origem.
Contribuição Social
No Brasil, seu trabalho é reconhecido como uma ação social. Para Pitbull, a Capoeira sempre foi um meio de manter crianças longe das ruas, oferecendo disciplina, educação musical e um sentimento de família.
Da Bahia a Thessaloniki: A Grande Jornada
Sua história na Europa começa com uma mala cheia de sonhos e berimbaus. Sua chegada à Grécia (Thessaloniki) por volta de 2000–2001 foi decisiva. Ele não encontrou uma comunidade pronta; ele a construiu.
Através de seus perfis e dos relatos de seus alunos, surge a imagem de alguém que trabalhou incansavelmente. Mestre Pitbull:
Desbravou Caminhos (O Desbravador): Foi um dos primeiros a ensinar Capoeira Regional autêntica no norte da Grécia, transformando curiosidade em paixão.
Construiu Pontes: Não guardou o conhecimento para si. Trouxe dezenas de mestres brasileiros para a Europa, criando oportunidades de carreira para compatriotas e enriquecendo a cena grega com grandes nomes da Capoeira.
O Perfil do Líder: Além do “Pitbull”
O apelido “Pitbull” remete à força e à combatividade, características presentes em seu jogo na roda. No entanto, aqueles que o conhecem pessoalmente falam de um Mestre com profunda empatia.
O Mentor: Em suas redes sociais, é comum ver publicações não sobre ele, mas sobre a evolução de seus alunos. Ele celebra as conquistas dos novos professores que formou (formados, professores), da Grécia à Turquia e à Croácia.
O Guardião da Tradição: Ele insiste na musicalidade, na história e nas tradições. Para Mestre Pitbull, Capoeira sem música e sem história é apenas exercício físico.
O Legado
Hoje, quase 26 anos depois, o trabalho de Marcos Almeida Brandão ganha cada vez mais reconhecimento.
A Jacobina Arte é uma família internacional.
O nome da cidade de Jacobina ecoa em rodas em Atenas, Thessaloniki, Paris e Istambul.
Aos olhos de seus conterrâneos na Bahia, ele é o herói que venceu no exterior sem jamais esquecer suas origens. Aos olhos de seus alunos na Grécia, ele é o “Pai” que os ensinou a cair, levantar e sorrir diante das dificuldades da vida, ao som do berimbau.
“Capoeira é para todos, mas nem todos são para a Capoeira. É preciso ter coração.”— Uma frase que reflete a filosofia do Mestre Pitbull.
Capoeira na Grecia
A história da Jacobina Arte na Grécia começa no ano 2000, a partir de um encontro que marcaria profundamente o desenvolvimento da capoeira no país. Mestre Pitbull (Marcos Almeida Brandão), fundador do Grupo Jacobina Arte em 2001 na cidade de Jacobina, Brasil, já residia na França quando visitou Thessaloniki durante uma grande semana cultural brasileira.
No espaço cultural Mylos, conheceu seus primeiros futuros alunos na Grécia, Mania Davanou e Dimos Toufexis. O momento foi quase simbólico: apenas um dia antes, eles haviam retornado do Brasil, já profundamente tocados pela capoeira através de viagens anteriores. Ao saberem de sua presença, foram ao seu encontro, o convidaram para treinar em Epanomi e, mais tarde, pediram que voltasse à Grécia para ensinar. Ele aceitou.
Pouco tempo depois, o encontro com Ligeirinho, de Komotini, um dos pioneiros da capoeira na Grécia, completou os primeiros laços dessa história. A partir daí, o caminho passou a ser construído coletivamente.
O primeiro batizado oficial da Jacobina Arte na Grécia aconteceu em 26 de janeiro de 2002, em Thessaloniki. A partir desse momento, a capoeira deixou de ser algo isolado e se transformou em uma comunidade viva, com identidade e continuidade. A Jacobina Arte cresceu, se expandiu pela Grécia e pelo exterior, mantendo sempre uma conexão profunda e autêntica com o Brasil e a cultura afro-brasileira.
Mestre Pitbull abriu caminhos para muitos instrutores brasileiros, criando oportunidades para viajar, ensinar e se estabelecer na Europa. O grupo se expandiu para a França, Croácia, Turquia, Alemanha, além de diversas cidades do Brasil e da Grécia, sem nunca perder sua essência.
Cultura afro-brasileira
Paralelamente, em 2002, um grupo de alunos de capoeira em Thessaloniki começou a explorar o lado musical dessa cultura. O que começou como ritmos de samba-reggae aprendidos de forma autodidata à beira-mar deu origem ao bloco Paranaue. Com o passar dos anos, o grupo se tornou uma família – não como figura de linguagem, mas como realidade vivida. Mais de vinte anos de ritmo, convivência e laços profundos.
Em 2005, Mania Davanou viveu por um período na Bahia, dedicada ao estudo da dança afro-brasileira e de suas tradições. Ao retornar, fundou em 2006 a Dancaue, a primeira escola de dança afro-brasileira na Grécia. Através do corpo, da música ao vivo e da comunidade, a Dancaue tornou-se uma extensão natural da filosofia da Jacobina Arte.
Os heróis invisíveis dessa história não são apenas os mestres. São os alunos, os músicos, as pessoas que abriram espaços, que viajaram, que acreditaram sem garantias. Foram eles que mantiveram a chama acesa.
A história da Jacobina Arte na Grécia é uma história viva de cultura, vínculos e continuidade. E, como toda roda verdadeira, ela nunca termina. Ela continua.
Bloco Paranauê, Dançauê: https://www.dancaue.gr/
